Namoro Cristão

18 de julho de 2019

(Dilean Melo)
Infelizmente, quando falamos sobre alguns temas da nossa vida, principalmente temas que não encontramos a palavra na Bíblia (como a palavra namoro), pensamos que podemos viver e fazer o que bem acharmos, ou pelo menos que nossa visão sobre o tema (que já está bastante comprometida com o que o mundo tem oferecido e ensinado) é suficiente para caminharmos afastados do todo que a Palavra de Deus orienta. É verdade que a palavra namoro não aparece na Bíblia, mas os princípios que dirigem o relacionamento devem ser nela encontrados e vividos por todos os que desejam viver segundo a Vontade de Deus, como Seus filhos (I Jo 5.3,4).

Vejamos alguns desses princípios que devem nortear nossas vidas quanto ao namoro.
Conselhos do Senhor X Conselhos humanos

Precisamos diferenciar entre os Conselhos do Senhor e os conselhos humanos. Os Conselhos do Senhor (Sl 33.11) se diferenciam dos conselhos humanos por levarem o homem a viver de forma prática os ensinos, mandamentos e a Vontade de Deus revelada através de toda a Escritura. Quando falamos em Vontade de Deus precisamos entender que Deus revelou-se através das Escrituras e através do Seu Filho Jesus. Sua Vontade consiste no desenvolvimento da santificação, onde eu, como servo de Cristo, decido obedecer a tudo o que Ele revelou nas Sagradas Escrituras e através da Vida de Seu Filhos Jesus. O resultado prático da Vontade de Deus está registrado em Romanos 8.29 “… para serem conformes à imagem de seu Filho …”.
O conselho dos homens é o resultado da experiência pessoal de cada um, a qual deve ser submetida a um exame das Escrituras. Nem todo conselho humano é necessariamente ruim ou pecaminoso, mas não tem o mesmo “peso” que o Conselho do Senhor.
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Rolinhos

Vamos começar falando sobre “rolinhos”. Querer namorar é algo natural. Gostar de alguém também é, mas precisamos pensar seriamente sobre isso. Uma coisa é ter um sentimento por uma pessoa, e manter uma atitude para com Deus de oração, pedindo que Deus oriente sobre o que fazer (isso considerando que a pessoa em questão preenche o primeiro pré-requisito necessário para começo de conversa, se a pessoa é cristã ou não, seguindo os padrões bíblicos encontrados em II Co 6.14 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” e II Tm 2.22 “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”).
Manter esse relacionamento de “rolinho” caracteriza um defraudar (que é pecado), onde eu apresento algo para uma pessoa que não sei se poderei suprir no futuro ou não (por que você pode ficar de rolinho, a pessoa achar que você vai namorar com ela e depois você não namorar). O que devemos fazer como crentes é orar a Deus em particular até chegarmos abertamente para a pessoa que gostamos e de forma aberta e sincera, conversarmos sobre o assunto. Isso feito, inicia-se um período de oração (caso haja uma resposta positiva sobre esse propósito pela outra pessoa), mas não de rolinho. Esse período envolve oração com os pais e aconselhamento para fazerem o que é certo.
E os Pais? Será que sabem algo? Devemos ouvi-los?

Caso os pais não apóiem o namoro nem continue pensando sobre o assunto. Não faça nada escondido e nem de forma enganosa. Lembre-se que você deve honrar seus pais, sendo obediente a eles (Ex 20.12 “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”; Ef 6.1 “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.”). Entregue nas mãos de Deus, em oração, para que, no tempo dEle, tudo aconteça de forma natural e pacífica.
Muitos adolescentes querem uma independência e uma liberdade que não é correta, pois ela busca somente seus próprios interesses e satisfazer o desejo do seu coração. Isso está muito longe do que a Bíblia nos ensina e é prova de falta de maturidade (I Pe 5.5 “Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, …”). Se devemos nos portar humildemente em submissão aos mais velhos, com certeza isso se aplica àqueles que, com amor, nos criaram muitas vezes com grande sacrifício.
Maturidade

Entrando no assunto maturidade, vamos ver alguns conceitos. Um deles já foi abordado no tema acima, reconhecer que precisamos uns dos outros e que deles aprendemos a viver nossa vida de forma correta, sendo-lhes submissos.
Existe pelo menos um texto bíblico muito importante que devemos analisar quando pensamos sobre maturidade: Efésios 4.11-13. Esse texto nos ensina que a maturidade que devemos alcançar faz parte de um processo Espiritual. Creio que isso não se aplica somente a vida na igreja, mas a todos os aspectos da nossa vida, pois como salvos por Jesus, não podemos (e nem temos como) separar nossa vida em áreas espirituais e não espirituais. Gostaria de chamar atenção para dois aspectos nesse texto:
1 – o pleno conhecimento do Filho de Deus, nos ensinando que maturidade relaciona-se com o fato do conhecimento de Jesus;
2 – o trabalho mútuo, mostrando que maturidade envolve meu relacionamento com o próximo, não somente com aquele que desejo namorar, mas o aperfeiçoamento dos santos.
Acredito que cada um deve se analisar e responder a essas perguntas: Tenho crescido no meu relacionamento com Deus? A pessoa que estou pensando em namorar demonstra esse mesmo tipo de desejo e crescimento? Tenho contribuído para a edificação das pessoas ao meu redor?
Outro texto que gostaria de comentar sobre maturidade é o texto de Gênesis 2.18-24. É interessante como aqui Deus descreve o processo da criação da mulher. Veja que Deus havia criado o homem, dado ordem ao homem e o colocado para trabalhar. Ele havia dado nome aos animais e cumprido o que Deus havia lhe ordenado antes de Deus lhe dar a mulher. Creio que podemos aprender com isso sobre maturidade. O homem teve um tempo para trabalhar, cuidar do que Deus havia ordenado, depois ele recebeu (dada por Deus) a mulher como sua companheira, auxiliadora. Deveríamos, a exemplo do texto bíblico, nos preocupar primeiro com o que diz respeito a nossas ordenanças, ao crescimento pessoal, a maturidade e depois receber do próprio Deus aquela pessoa que Ele tem separado para nós.
Com quem devemos namorar?

Temos o texto clássico de II Coríntios 6.14 que nos mostra que não devemos nos colocar em julgo desigual com incrédulos (pessoas não crentes). Se isso não bastasse, temos o texto de II Timóteo 2.22 que nos ensina a “…fugir das paixões da mocidade e seguir a justiça, a fé, o amor e a paz com os que de coração puro invocam o Senhor”. Esse texto divide nossos relacionamentos. Ele nos diz com quem devemos nos unir e com quem não. Fugimos das paixões carnais (seja ela em relação a namoro ou outras paixões/inclinações da nossa carne) e nos unimos àquelas pessoas que tem buscado de todo o coração seguir a Jesus.
Se Ele é o nosso Senhor e Rei, devemos obedecê-lO em tudo o que Ele ordenar. Aliás, essa é uma forma de mostrarmos o quanto O amamos (Jo 14.15), que somos seus amigos (Jo 15.14).
Quanto tempo devo namorar?

Não há um verso bíblico que aborde esse tema de forma direta. Gostaria de primeiramente falar sobre dois princípios nos quais devemos sempre nos apoiar, que é o de defraudar e o de nos santificarmos. O primeiro diz respeito a como lidamos com nosso semelhante, em não criarmos expectativas que não vamos poder suprir, ou iludindo a pessoa. Quando temos um namoro muito longo, corre-se o risco de pela intimidade e proximidade, acabar “baixando a guarda” quanto a questões muito sérias, principalmente relacionadas à sexualidade. O segundo, a santificação, pode ser decorrente do primeiro. Há um dito popular que faz muito sentido: “Gasolina de crente também pega fogo.” O que esse dito quer dizer é que cristãos também sentem desejos e que podem, pela tentação, acabar caindo, sendo levados pela luxúria. Em I Ts 4.3, quando Paulo nos fala sobre a Vontade de Deus, ele nos diz que nós devemos nos santificar nos afastando de toda sorte de imoralidade, usando nossos corpos para a santidade. O que a experiência nos mostra é que casais que namoram muito tempo acabam sofrendo maiores problemas com esse mandamento. Sua proximidade acaba sendo um atenuante e acabam sendo descuidados quanto a pureza em todas as áreas do relacionamento, acabando por confundir o tempo de namoro com um passo mais avançado.
O namoro cristão deve ser fruto de um compromisso pessoal com o Senhor. Tudo o que fazemos, falamos, pensamos, deve ser para Sua Glória (I Co 6.20; Ef 1.12). O namoro cristão não deve ser diferente.

Dilean Melo

SOBRE O AUTOR

Dilean Melo
Estudou Teologia é casado Vânia e duas filhas.

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