Casei, e agora?

5 de julho de 2019

A juventude é uma etapa da vida cheia de altos e baixos, de pensamentos controversos, de significados ambíguos que mexem com as emoções e a cabeça da moçada. A fase das descobertas, das experiências marcantes que levam uma vida toda para si compreender, que ecoam sobre os anos. Período da vitalidade, onde o impulso é quase nunca controlado, e a razão é quase sempre esquecida. Ser jovem é sinônimo de vida, desejo e aprendizado.

Criar raiz, talvez seja um dos maiores dilemas enfrentados nessa geração. O casamento, sem sombra de dúvidas é o grande desafio dessa faixa-etária. Viver na superficialidade, sem assumir riscos parece uma alternativa tentadora diante do medo e da insegurança do novo, do todo-dia, do até que morte os separe. Essa vida rasa de significados, sem perspectivas sólidas adentram os namoros cristãos tornando-os fracos e vulneráveis, apontando para lugar nenhum. O relativismo tem sido a desculpa mais usada para as burradas cometidas e os fracassos acumulados no início dos relacionamentos. Nesse jogo tudo pode e nada é errado, a Palavra de Deus não faz parte das decisões intimas. O amor se torna surreal, uma palavra usada habitualmente para descrever um sentimento mal compreendido, muito falado, mas pouco vivido.

Diante desse paradoxo entre juventude pós-moderna e princípios bíblicos inerentes, encontramos a família. Para muitos um local misterioso, recheado de traumas e de passados conturbados. Esse tipo de distorção conceitual impossibilita enxergar o futuro a frente, de tentar ser e fazer diferente. Na contramão do sistema, a família cristã deve ser o resultado bem-sucedido (não perfeito) de uma caminhada incomum, assumindo compromissos sólidos em prol de uma perspectiva divina, de fazerem do seu lar um habitat permanente da presença de Jesus, tendo por objetivo ser um sinal histórico do ideal de Deus à sociedade. Ser família e ser jovem é uma combinação fascinante, podemos não enxergar isso no primeiro momento, mas com o passar dos anos em detrimento de uma vontade soberana, o compartilhar da vida na juventude se torna singular, uma experiência incrível, um verdadeiro passo de fé.

Entretanto, o propósito do matrimônio não deve ter um fim em si mesmo, a aliança não deve representar o resultado final de um relacionamento, ou o isolamento do resto do mundo, muito menos o troféu de um percurso. Vejo casais jovens com muito potencial onde o casamento ao invés de aumentar suas forças, de certa forma acaba os tirando do ministério e do convívio da igreja local. Consequentemente, esse hiato que surge diante da disparidade entre o que aprenderam no “deserto (a solteirice)” a adaptação na “terra prometida (a vida a dois)” tem consequências drásticas lá na frente, quando os filhos chegam e os valores foram perdidos. Servir a Deus, deixa de ser um princípio e passa a ser secundário, os filhos acabam crescendo em uma “bipolaridade espiritual” vendo o discurso dos seus pais destoando da realidade.

A nossa geração carece de referenciais, de jovens casais que se permitem serem usados por Ele e para Ele, quebrando os inúmeros paradigmas sociais, sendo Sua imagem e semelhança em um mundo sem identidade, refletindo um lindo memorial da vontade de Deus para esse tempo. Precisamos continuar firmes em Cristo, multiplicando dons, talentos, disseminando sonhos, visões, sendo parte da missão do Pai nesse lugar, fazendo história através de um presente enraizado em serví-Lo. Afinal, casamento não significa O FIM DO JOGO PARA JESUS, mas o início de uma nova e divertida fase, unificados, aliançados, em compartilhar o amor e a graça, abençoando e sendo abençoados. Viva intensamente a juventude, o casamento e o Senhor Jesus!

“Se, porém, não agrada a vocês servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas eu e a minha família serviremos ao Senhor”. Josué 24.15

Artigo de Alex Assis.
Sobre o autor: Alex Assis, discípulo do Mestre e corintiano. Tem 32 anos, casado com Eliane (Tini) há 10 anos, tem dois filhos: Clara (05) e Lucas (03), serve no ministério de juventude como pastor, é um apaixonado pela JUMAP, onde atua como diretor executivo.

Alex Assis

SOBRE O AUTOR

Alex Assis
Estudou Teologia Pastoral no PV Atibaia, casado com a Tini, pai da Clara e do Lucas, Diretor Executivo da JUMAP e Pastor de Juventude.

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