A Dinâmica do/no Ministério de Música

8 de julho de 2019

Como introdução deste artigo gostaria de esclarecer rapidamente alguns pensamentos equivocados: 1) Adoração não é música (que bela novidade!); 2) Músicos voluntários na igreja podem servir de qualquer jeito (faça um estágio voluntário de qualquer jeito numa empresa e veja o que acontece!); 3) Não somos levitas (todos os cristãos são sacerdócio real na nova aliança – I Pe 2.9), contudo podemos aprender princípios sobre o ministério de música na igreja e nos grupos de jovens com eles.

Portanto, este material é fruto de uma pregação realizada em sala de aula na disciplina de Homilética (isso não tem nada a ver com culinária!), sendo inspirada num devocional DHS (mas devidamente expandida) e talvez possa ajudar aqueles que queiram aprender um pouco mais sobre “A Dinâmica do/no Ministério de Música”, podendo ser aplicada também em outras áreas.

No texto de I Cr 25.1-8 o então rei Davi separou levitas capazes para exercerem o ministério da música, os colocou sob a direção de seus próprios pais (líderes) com sua própria supervisão e ainda os organizou em equipes para os turnos de serviço, mesclando mestres (pessoas mais experientes) e discípulos (pessoas mais jovens).

1.Separados
Na Bíblia de forma geral é Deus quem chama/separa/escolhe/santifica para uma missão/obra/ministério específico. Ex.: Noé, Abraão, Moisés, João Batista, Paulo. Contudo Deus pode usar alguém ou algumas pessoas de visão para fazer isso (v.1). Davi se assessorou dos seus comandantes (NVI), líderes (NTLH), chefes (BV) para escolher as famílias que realizariam um ministério que na visão do rei era importantíssimo. Aqui se percebe que Deus usa aqueles que possuem conhecimento de causa, ou seja, os mais experientes, para buscar pessoas que tem alguma capacidade específica. Davi era perito em música e sua liderança também conhecia quem eram aqueles com talento para o labor do ministério.

2. Capazes
Somos separados por Deus (ou Deus nos separa utilizando pessoas) para realizar algo que somos capazes (v.7). Aquelas famílias eram peritas na música (músicos treinados), na ministração, no canto, na habilidade de tocar instrumentos musicais. Possivelmente você não seja um gênio da música, ou um físico nuclear, mas Deus pode utilizar algo que você tenha para oferecer. Desenvolva seus dons especiais para oferecê-los no serviço a Deus (Rm 12:3-8; 1Co 12:29-31). Sendo assim existem talentos, dons dados por Deus, contudo existe também o desenvolvimento, o aprimoramento destas questões. Aqui talvez se desmistifique um pouco aquele velho ditado evangeliquês: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. O principio de Deus é nos separar/escolher levando em conta o que Ele mesmo nos proporciona. Ex.: o apóstolo Paulo que se avantajava a muito aos de sua idade quanto ao judaísmo (Gl 1.14); era poliglota; teve a melhor educação (At 22.3).

3. Supervisionados
Devemos ministrar sob a orientação de uma liderança (v. 2, 3 e 6). Esses versos mostram que os levitas músicos eram dirigidos/orientados por seus pais (Asafe, Jedutum e Hemã), que por sua vez prestavam contas ao rei (eram supervisionados). A expressão no hebraico é “estar debaixo da mão”, dando margem aos tradutores para utilizarem “direção ou supervisão”. Ao se fazer parte de um ministério, devemos respeitar a liderança e cooperar com ela (continua valendo a ideia de “corpo” – Ef 4.16).

4. Organizados
Precisamos aprender a trabalhar em equipe e estar em treinamento contínuo (v. 7 e 8). Davi possuía 4000 instrumentistas (1 Cr 23.5) e 288 professores (v. 7), tornando-se necessário a organização dos “deveres (ARA) ou responsabilidades (NVI)” em turnos de trabalho. Nas igrejas há uma tentativa, sempre que possível, de se realizar escalas nos ministérios. Primeiro para não sobrecarregar as pessoas, e segundo, para não haver ciúmes e egos inflados pela frequente exposição. A ideia de Davi de montar uma estrutura onde os músicos mais experientes acompanham e treinam os mais jovens é espetacular. Ele mesmo era o responsável final a quem os três levitas-chefe se reportavam (v. 6). Por isso as pessoas mais experientes devem acompanhar e treinar os mais jovens, mas esses “mestres” também precisam prestar contas a alguém ou a uma comissão de pessoas para o bom andamento dos ministérios e da igreja. Lembrando que a igreja com seus ministérios pertencem a Jesus Cristo e não a nós.

Como tese podemos entender que Deus separa pessoas capacitadas para desenvolverem ministérios específicos, sendo dirigidos pela liderança e organizados em equipes, onde os mais competentes treinam os demais. E por fim, podemos dizer que Deus nos separou (eu e você) para servirmos em sua obra, nos dando capacidades para isso. Ele também espera que desenvolvamos essas capacidades a ponto de podermos trabalhar em equipe, sendo submissos a nossa liderança e de nos tornarmos peritos no que fazemos a ponto de até podermos ensinar outras pessoas nosso “ofício/função”.

Artigo escrito por Dan Oliveira, líder de música da JUMAP.

Daniel Oliveira

SOBRE O AUTOR

Daniel Oliveira
Estudou Teologia na FBP é cantor e compositor, pai da Helo e esposo da Kris é pastor na Igreja Batista Emanuel de Panambi.

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